quinta-feira, setembro 04, 2008
À toa
quarta-feira, setembro 03, 2008
?
Se voltaste para isto porque não ficaste longe? Se era para despejares palavras em tom de indiferença porque não ficaste quieto, como tens feito estes anos a fingir que tens planos? Se queres fazer isto, faz sóbrio. Não há um pingo de amor aqui.
E tu, é só isso que sabes?
Tirem-me este gajo daqui.
relógio
quieto
sabidolas
Olha que és um rapaz espevitado e entendes tudo, meu malandro. Quem haveria de dizer que com essa cara nos entregavas dúvidas? Ainda pensava que estavas ai armado em pintas com essa lábia pintarola de quem sabe o que está a dizer mas gozando, com os outros que menos sabem. Um dia ainda hás-de ser alguém, digo eu! Que agora não és gente para isso e só tens meio palmo, mal medidos, numa colher. Mas ou me engano ou vais ser grande. Ou isso ou importante. Que grande e importante hoje é coisa rara e também não me parece que tenhas cabeça para isso. Vê lá é se não te perdes, como os outros que andam por aí, meu sacana. Tu mete juizo nessa cabeça e não metas com esses sabidolas todos pintarolas que para aí andam a azucrinar a cabeça dos outros. É que agora só se vê é gente a roubar de gente e não como antigamente que não se comia. Hoje come-se e mal. E mesmo assim e por isso, também, mais por isso, acho eu, é que se rouba tanto. Essa gente que tem tanta cabeça mas estraga-se assim. Mas tu és um rapaz espevitado e entendes tudo. Olha, é o que me parece.
as mãos
As minhas mãos fazem covas. Não. As minhas mãos têm covas. Todos os dias mais covas. Enterram-se nas minhas mãos os buracos, os vazios e as coisas que decidi deixar passar. As vezes que não falei e não bati e os desejos que perdi a com… olha foda-se, assim não quero escrever porque continua igual e sem interesse. E é mais uma razão para que se abram buracos nas mãos. Estas que já não têm força para se agarrar ao que quero. E para afastar o que me faço indeciso e consciente. Mas sabes que há quem morra de fome? Sabes que há quem não tenha mãos?
O quê?
As minhas mãos fazem covas porque estou a ficar mirrado. Na cabeça. Eu sei que já diziam quando eu ainda não tinha a legitimidade para dizê-lo, que isto melhor não fica e depois de velho, só se caminha para pior e quando tiveres a minha idade vais perceber. Mas eu nunca vou ter a idade de ninguém que me tenha dito isto. Há uma outra enorme quantidade de coisas que se dizem e que não se deviam escrever, de tão esgotante e vazio que tudo era e continua a ser, mesmo depois de constatar que é verdade que isto é vazio. Mas deixam de ter covas as mãos? Já li coisas melhores.
canções
um dia
Só vi um dia. Daqui a alguns dias. Só vi um dia, sem mais ver porque a luz encobre, ou descobre, com definição e ruído em demasia. A sombra encobre ou descobre a luz que não vinga. Só vi um dia, não as coisas, não movimento, não cores, não alguém, não coisas. Só vi um dia, rasgado, encoberto, descoberto, nítido, não. Turvo, não. Difuso. Só vi um dia e não gostei do que vi. Porque nesse dia que vi, vi que não estava aqui.
canções
Regresso
E foste. Ficando
Deixaste. Parando
Parado, riste.
Voltaste a rir sem vontade
E sem verdade como antes quando parado
Ficaste, como deixando.
É igual.
O regresso presente
Amanhã faz de novo
Fica voltando de volta ficando à volta
Para trás o presente ou para a frente
E depois
novo de novo
Estás?
quarta-feira, junho 08, 2005
replay
amuo
segunda-feira, abril 25, 2005
pântano
eu queria um título, queria. e também queria saber o quero com isto
se pudesse falar-te
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
ócio
Ao espelho, escova o longo cabelo dourado em gestos preguiçosos. Da cadeira escorrem de tempos a tempos, gotas de sangue, no fim do rasto imperfeito. No soalho de madeira do quarto, o sangue já seco, enfia-se pelas fendas. Do mármore branco do corredor, arrasta-se brilhante até ao mosaico da casa de banho, onde já pastoso, esgota-se na banheira. E nela, envolto em mais sangue, pariu-se o feto asfixiado.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
o galo mudo
Niquélido, desmarido de três vadias, queria a esposa mãe. As donzelas fizeram-se de imediato ao estoirar o apelo. Rebentaram em todos os lagos e canteiros do castelo. Caíram de reposteiros, deslizaram de corrimões. Foi um sem fim de empurrões e sufocos, com tanta mulher a acorrer às terras de sua majestade.
Três núpcias ruíram interrompidas, por teimosia da pila aristocrata. As noivas foram degoladas, acusadas de bruxaria, antes da luz cantar o primeiro dia dos seus matrimónios. O rei foi embrutecendo, mais animal que senhor, amaldiçoando o mundo pelo inútil apêndice. Nenhuma mulher ou mula levantava ao senhor, o pau em lascívia. O primogénito é imperativo na linhagem da casa.
O galo puxou-se ensonado para o poleiro e deteve-se no canto ao escutar na sacristia o rei em confissão. Em vez de acordar as gentes, zombou do senhor em cantiga jocosa. Palavras e palavras de risos contorceram o reino até ao mijo. Areia aos olhos do povo com mais bruxas noivas, é enguiço sumido do rei. O rei voou ao pescoço do animal e apertou-o até cortar-lhe o cacarejo. O pároco invocou piedade pela criatura e fez o galo prometer que ia curar o monarca. O galo agora mudo, escreveu que se fizesse uma festa, com todas as fêmeas, para que uma inchasse o ego do soberano.
A cópula realizar-se-ia numa festa, quis o rei para provar o seu poder.
As estrelas dançaram ao ritmo da procissão de carroças, burros e cavalos, com senhoras e ciganas, meninas e maduras. As estradas banhadas pelo cortejo, os campos salpicados de fauna, todas salivadas de gula, recortando a paisagem, ao encontro do trono da terra.
O galo correu para o castelo, à prova da vida das suas penas. Com o bico a prémio. Atropelou mulas cansadas e putas perfumadas. Passou por carroças com bebés enfeitados e clãs aprumados. Dançarinas esguias e monstros ferozes. Cruzou-se com outros reis em vestes de rainhas e rainhas em vestes de jóias. Era tal a multidão, que a montar todas as bichas e bichos, o rei ficará a testar por semanas e semanas a maldita pila.
À meia-noite, ainda nem tinha comido a décima parte dos intrusos e convidados, foi quando o rei carregou ao salão, o seu corpo imenso. Enquanto os guardas reais apertaram as massas, o galo saltou ao parapeito de uma janela e usou-a de camarote. O senhor deixou a capa preta escorregar ao chão e subiu despido a poltrona. Milhares de matronas e puritanas o imitaram e esfregaram aos ares as suas partes. O majestoso em carnes penduradas e pelos eriçados, ordenou que se tocasse música. Durante horas desfilaram e jogaram tetas e coxas, atiraram-se ombros lisos e cabelos sedosos. Fugiram gotas de calor e escorreram partes de partes por corpos e superfícies lustrosas. Bailou-se em podre e imunda oferenda, seduziu-se os gostos e os gestos, em permissão desmedida. Lambeu-se os olhares do soberano e do mastro tímido, apertado nas largas pálidas pernas. Nenhuma agitação. O pau do senhor está morto, sem júbilo. Dois dias festejados e o rei mais esmorecido, no entanto, mais frenéticas as meretrizes em sedução insuperável. A dança moldou-se em batalha de carne. A oferta ao rei foi dada aos guardas, aos campónios, às outras donzelas, entre guardas, campónios e donzelas. Do salão às muralhas, das muralhas à encosta, da encosta às aldeias. Pelos campos e rios e riachos e bosques. Em absoluta entrega e comunhão de sexos e formas, em fornicação universal, os velhos das novas, das vacas em bois de mulas e pássaras de éguas nos taberneiros das matreiras com coveiros. Cada charco e tufo de erva foram nuvens para o coito livre das criaturas em descompressão titã. O rei adormeceu. O galo caiu do parapeito da janela com os sobressaltados e cavalgadas de um cavaleiro com duas costureiras, despejado acidentalmente no colo do soberano. Em pânico de se ver em cima do senhor, bateu as asas desesperado. O rei acordou formigado na barriga e com um pulsar nas pernas, um bombear no pau. A vista arregalada com cores de penas e a pila provocada pela confusão das asas, forçaram sem controlo o monarca a agarrar o galo e comungá-lo com o seu corpo. O rito curto e bruto, espantoso para os foliões, paralisou o mundo. O senhor em sôfrega ânsia tortura o galo em golpes, saltando aos cortes, com guturais gemidos. Gritos estremecedores a destruírem o reino e a afastar as águas. As gentes e espécies em terror, com o espectáculo da vida toda entalada e expulsa num só acto. Nas mãos do rei sedento, esfomeado, de corpo gigante, o galo quase sem vida, sacode-se em viagens atormentadas. De salto curto, o rei posto de pé, com impulso brusco, inchou o galo de seiva real. O desconsolo e o sono taparam por três dias, um reino em silêncio.
terça-feira, janeiro 18, 2005
fácil
sexta-feira, janeiro 14, 2005
uma onda enorme
no céu
Senhor: Pára de falar arcaico, coisa! É o estômago outra vez!
Coisa: Mas porque criastes nome para todas as coisas e criaturas e me deixaste inominado?
Senhor: E isto é hora de discutires isto, pelos céus!
Coisa: Oh senhor, não fostes vós quem criou o céu e a terra e tudo o que em si está contido, não fostes vós que destes estômago ao mundo, porque afinal tolera a vossa dor?
Senhor: Já disse para parares de falar dessa maneira ridícula. Traz-me qualquer coisa, maldição!
Coisa: Oh senhor, mas porque me rogais pragas, as suas maldições são resultado da ira infinita e eu sempre fui seu fiel servo!
Senhor: Mas saiu-me da boca para fora, estou cheio de dor!
Coisa: Oh senhor, mas não fostes tu quem criou a dor para amenizar a soberba do mundo e penitenciar os pecadores, dizei-me porque sofreis vós ao invés da vossa criação?
Senhor: Por amor de Deus, se não me ajudas, não me chateies.
Coisa: Amor a Deus? Mas Deus sois vós! Senhor, a dor está a consumir-vos. Não sois capaz de discernir. A que Deus vos referis. Tendes vós por ventura conhecimento de existência para além de Sua Plenitude? Estais a referir-vos a um Ente terceiro? A outro Senhor? A um vosso irmão gémeo?
Senhor: Meu irmão? Qual irmão? Diz-me! Que sabes tu?
Coisa: Então é verdade senhor? Tendes vos um irmão gémeo?
Senhor: Onde está ele? Quem é ele?
Coisa: Senhor estais a confundir-me.
Senhor: Diz-me coisa, porque me ocultaram esse facto?
--
Mãe: O que queres?
Senhor: Mãe, preciso falar contigo.
Mãe: Mãe? Olha lá, estás parvo ou quê?
Senhor: Mas isso são modos de falar comigo?
Mãe: Chegas aqui a chamar-me mãe, mas eu sou mãe de alguém?
Senhor: És minha mãe.
Mãe: Passou-se! Desde quando tens mãe ou pai? Tu és o Todo Poderoso, estás no topo da pirâmide, no cume do mundo, és o que está para lá de tudo. Além de ti, nada! De onde saiu essa ideia?
Senhor: Preciso de falar com a minha mãe e portanto criei-te.
Mãe: A mim?! Pareço a mãe de Deus? Dava para te esmerares, esforçares-te mais um pouco e criares a Mãe de tudo com mais magnificência, divindade, perfeição?
Senhor: Posso falar?
Mãe: Tu respeita a tua mãe!
Senhor: Onde está o meu irmão gémeo?
Mãe: Mas qual irmão?
Senhor: A coisa confessou-me que tenho um irmão.
Mãe: Mas nem mãe tu tinhas e agora vens cobrar-me um irmão?
Senhor: Eu agradeço sinceramente que sejas mais afável a falar comigo, porque esse tom não me está a agradar.
Mãe: Oh pirralho, se estás aqui é porque sou tua mãe, se és o que és deves a mim. Se és o mais que tudo, agradece-me e agora sossega, que não há gémeo nem coisa nenhuma!
--
Gémeo: Diz...
Deus: Afinal encontrei-te.
Gémeo: Iupe... E então que queres?
Deus: Conhecer-te. Tenho-me sentido estranho, sempre me senti. Se calhar porque me faltava uma parte, sempre fui incompleto sem o perceber.
Gémeo: Deus, Deus. Pensa bem no que dizes.
Deus: Foi-me escondida a tua existência. A mim que tudo sei.
Gémeo: Como foi então possível isso acontecer?
Deus: Tenho inimigos. Gente que me inveja, que me persegue.
Gémeo: Não és tu o criador de tudo, não és tu o criador da inimizade?
Deus: Esperava de ti mais compaixão, mais amor. Ansiei encontrar-te e entregar-me, partilhar contigo a Criação.
Gémeo: Ouve bem o que dizes, pensa naquilo que estás a fazer. Acreditas mesmo que existo? Que tens um irmão gémeo? Parece-te lógico, a ti, que és o dono da Existência, que hajam factores que escapem à tua vontade e determinação? Não andas a enganar-te desde sempre? Não percebes que vives no teu mundo? Não compreendes que inventaste tudo em torno de ti, com todas as formas e almas à tua imagem? Não te parece exagero que o cosmos, os universos, as galáxias e os seres se movam e desenvolvam de acordo com a tua vontade e se comportem como determinas? O Mundo é uma ilusão, consequência da tua esquizofrenia. Não vês que foste tu quem criaste Tudo? Pura invenção.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
às páginas tantas
Alberto não tem o hábito da leitura, na verdade apenas folheou um ou dois livros em casa de amigos, apenas por mera curiosidade ou falta de ocupação. Ter-se abrigado da chuva no toldo da livraria foi o impulso que precisava para conhecer o vasto e complexo mundo das letras. Quando Teresa se mostrou bastante surpreendida, quase chocada, perante a confissão dele de que não sentia interesse pela leitura, Alberto ficou tremendamente envergonhado e prometeu a si mesmo que iria tentar ler qualquer coisa. O casal conheceu-se há 21 dias, num enfadonho jantar da empresa onde trabalha Alberto e a cunhada de Teresa. O percurso de ambos, desde então, não foi mais original que o dos inúmeros casais de namorados e actualmente constituem um feliz, recente e necessariamente pateta par de seres iluminados pelo universal amor. Teresa vive em constante sobressalto, assustada com o quotidiano moderno e vazio, de acordo com as suas convicções, usando como refúgio e universo alternativo ao que lhe impuseram o da leitura. Seja qual for o tema, podemos encontrá-la a ler enquanto bebe chá na baixa, ou espera o resultado das análises médicas. Não considera Alberto um ser desprovido de inteligência, mas a ignorância e desinteresse demonstrado pelo veículo de conhecimento e responsável por tremendas sensações, como é a leitura que lhe é tão vital, é para ela um motivo de desapontamento.
Sacudiu levemente o chapéu de chuva depois de fechá-lo, em frente à montra de livros e recordou a expressão de surpresa contida da sua namorada. Abriu a porta da livraria e sentiu o conforto do ar aquecido e atmosfera calma, contrastante com o clima agreste e o turbilhão de ruídos no exterior. Vasculhou de longe com rápida passagem de olhos, os mais diversos títulos e temas. Prendeu-se diante de algumas estantes de autores nacionais, com publicações de elevado apelo visual. Num dos cantos da livraria, estava exposto um conjunto de caixas que aparentavam fazer parte de uma colecção. Aproximou-se e constatou que embora tratando temas diversos, estas caixas eram compostas cada uma, de um livro e uma oferta, apresentados lado a lado, como se se tratasse de um conjunto de natal de água de colónia e gel de banho. Uma das caixas continha um exemplar de "Aromas e Terapias - Saberes exóticos" acompanhado de um frasco de essência de baunilha. Outra das caixas da colecção era vendida com o "Sonata ao entardecer em Villigon" e um CD de música clássica variada. Existiam várias embalagens com ofertas alusivas ao tema do livro incluído, como que a complementar a leitura e torná-la mais real. Alberto decidiu-se por uma embalagem cor de chumbo, com um revólver e a obra "Hei-de morrer como queres" de um autor estrangeiro de nome impronunciável.
Teresa mostrou-se reticente em relação à ideia das embalagens, talvez considerasse isso uma forma de diminuir o valor literário das obras, mas considerou louvável o esforço de Alberto e desejou que ele o tivesse feito por interesse próprio e não como forma de a agradar.
Após ter deixado Teresa em casa, Alberto decidiu-se a dedicar à leitura meia hora, antes de se deitar. Vestiu o pijama e o roupão, desligou o televisor e sentou-se na poltrona ao lado da lareira, iluminado pelo candeeiro de pé alto, nunca antes usado, oferecido pela anterior companheira. Abriu a embalagem, com dois compartimentos, retirou o livro e observou a capa e contracapa sem as ler, pousou-o e retirou o revólver. Este revela-se mais pesado do que supunha e possui no tambor três balas. O revólver parece real. Pousou-o, algo assustado e perplexo com a compra que tinha feito. O revólver não é um brinquedo, como seria espectável. Levantou-se, dirigiu-se ao hall, com o intuito de telefonar a Teresa e dar-lhe a conhecer a sua descoberta. Pegou no auscultador e no instante em que colocou o dedo no disco para girá-lo e marcar o primeiro número, recuou na sua decisão, por parecer-lhe prematura e injustificada. Sentiu-se como criança, assustada com o escuro e envorgonhou-se com isso. Sentou-se novamente na poltrona. Olhou para o livro, agarrou-o e depois de ler o titulo e o autor abriu-o. Hei-de morrer como queres.
Após ler o título e o autor, abri o livro. Nesta altura soube que o comprei com um único propósito. Encontrar-te. Não sabia se escreveste o livro sobre nós e falas de mim directamente ou se é mais uma das tuas histórias inconsistentes e paranóicas. A principio não relacionei os personagens connosco, nem os eventos que descreveste me pareceram familiares, mas entretanto, casualmente, ,percebi que usaste as nossas inciais, assim como as iniciais dos nossos amigos. Criaste uma cidade desconhecida, mas deixaste muitas pistas, intencionalmente, para que eu descobrisse a mensagem. Foste tu que te suicidaste Teresa, eu não te matei.
Alberto sentiu-se desconfortável com a coincidência. Mudou de posição na poltrona até enterrar-se numa posição mais agradável e continuou a ler. Sem se aperceber, a meia hora transformou-se em três horas, no entanto, ainda não tinha lido mais que a primeira página do livro. O telefone tocou. Alberto estremeceu de susto e quando se levantou para o atender, já tinha tocado pelo menos cinco vezes. A Teresa foi morta a tiro, Alberto. A Policia gostaria de falar contigo. Foi-lhe dito no meio de algumas frases difusas. Pousou o auscultador ainda de livro na mão e dirigiu-se à sala. Ao pousar o livro na mesinha, Alberto pegou na arma para guardá-la num local mais apropriado e decidiu retirar as balas do tambor. Apenas lá estavam duas.
quarta-feira, janeiro 05, 2005
absurdo
Elia: A propósito de...
Ferdi: Sei lá! É indiferente, não é?
Elia: Tenho cara de quê?
Ferdi: Não tens. Mas qual é o objectivo disto?
Elia: Ferdi, sei tanto como tu. Cheguei agora. Vim dar uma perninha.
Ferdi: E por acaso não achas que está mais que batido? Onde está a originalidade? Que tema mais idiota.
Elia: Estás a perguntar a mim?
Ferdi: Primeiro, não estou obviamente a perguntar nada, mas se já é absurdo, gostaria que o desenvolvesses de alguma forma.
Elia: Segundo...
Ferdi: Fico-me pelo primeiro.
Elia: Não mudaste nada.
Ferdi: Desde quando? Já me conhecias? ...Eu? Nem sei como és.
Elia: Então?!
Ferdi: Que foi?
Elia: Era suposto ser eu a dizer isso. Fazes a pergunta e respondes também?
Ferdi: Que diferença faz, queria enganar o gajo. Mas se insistes, diz.
Elia: Eu? Nem sei como és
Ferdi: Já não faz muito sentido, pois não?
Elia: Socorro! Isto não acaba?
Ferdi: Por acaso... este texto era dispensável.
Texto: Oh pessoal, falem por vocês.
Elia: Foda-se! Vai de mal a pior.
Ferdi: Queres que personifique o autor?
Elia: Mas estás parvo? Tu és o autor.
Ferdi: Tu também. Aliás não somos nada, eu não estou a falar com nada. Eu não estou a falar.
Ferdi: E se fosses à merda?
Merda: Estou ocupada, queridos. Já só aceito marcações para Abril.