quarta-feira, dezembro 15, 2004

Folhas de tela vazias, barro por moldar,
Estendidos ali à minha fente.
Os 5 horizontes giravam em volta de sua alma
Assim como a terra em torno do sol
Mas o ar que senti, o ar que respirei seguiu um novo rumo
Fui eu quem lhe ensinou tudo
E ela deu-me tudo o q vestia
E agora estas mãos desesperadas arranham as nuvens
O que aconteceu?
Todas as lembranças foram lavadas de negro, está tudo tatuado

Vou até lá fora
Rodeado por crianças que brincam
Oiço os seus risos, mas porque me sinto queimar?
Porque giram estes pensamentos crueis cá dentro?
Estou a ficar tonto, tonto
Quão rapido é o sol a cair
As minhas mãos feridas seguram os cacos do que sobrou
O que aconteceu?
Todas as lembranças foram lavadas de negro, está tudo tatuado
Todo o amor desapareceu, enegreceu o meu mundo
Tatuado tudo o q vejo, tudo o que sou e tudo o q serei

Sei que um dia terás uma vida bela, sei q serás a estrela no céu de outrém
Mas porque não, porque não, porque não podes ser no meu

Eddie Vedder "Black"

sexta-feira, dezembro 10, 2004

tua vaca

Deixa-me cortar-te a roupa.
Não quero ver-te mais armada em raínha.
O teu cheiro enjoa-me.
O teu perfume enoja-me.
Estou cansada do teu riso e das piadas repetidas, não aguento os teus jogos,
de sedução,
de ciúme,
de paz,
de guerra,
de inveja,
de poder.
Tens esquemas para tudo, exiges respostas de tudo.
Tens um corpo perfeito, um gosto desfeito.
Um brilho genuino, presença grandiosa.
Presunção merecida, felicidade oferecida.
Vejo-te caír e partir.
Faço-te chorar para meu gozo.
Nunca consegui.
Quero-te rasgar as pernas, comer-te como se fodesse uma cadela.
Por-te a gemer de raiva.
Quero trazer-te presentes odiosos.
Cozinhar-te podridão.
Amassar-te como pão.
Quero ser vaca.
Ser tua vaca.
Por-te as mamas de molho.
Por-te nervosa. Fazer-te insegura.
Criar-te em cubos. Desenhar-te em cacos.
Vou cuspir-te bosta com palavras de algodão.
Oferecer-te festas de gente destruída.
Apresentar-te um mundo em queda.
Vais pedir-me mais dor e arrojo.
Vais querer apanhar-me, mas vou escorregar.
Vais esquecer o que vales.
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor
Tu não és o meu amor

quinta-feira, dezembro 09, 2004

2002.02.20

O meu nome é Igor. Quando fiz quatro anos, o meu pai comprou uma fábrica de chocolates e abriu a primeira loja de doces. Aos seis anos ganhei o prémio de melhor nadador no meu colégio. Com catorze, fui vice-campeão europeu de Xadrez. Aos desassete comprei o primeiro Ferrari. Aos trinta e quatro tive o quinto filho. Aos Sessenta vendi quatro das desasseis empresas do meu Grupo. Hoje comprei um castelo.
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Chamo-me Lupi. Aos dois anos, a minha mãe morreu. Estávamos as duas sozinhas na nossa aldeia. Os outros já tinham morrido. O meu nome foi-me dado pelas Irmãs quando me recolheram. Aos doze tive os primeiros sapatos. Aos dezoito vi o primeiro automóvel. A minha prenda foi uma moldura em bambu.
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Meu nome... gostava de me chamar Henry. Os meus pais escolheram Francis, mas acho pouco masculino. Aos quinze anos fiquei sem um braço quando trabalhava na fábrica do meu tio Richard. Aos vinte e dois casei com a minha segunda namorada. O meu filho mais velho morreu de cancro o ano passado. O mais novo veio hoje ao lar e ofereceu-me um selo de 1973 para a minha colecção.

terça-feira, dezembro 07, 2004

quarto

Entre as três caixas que me deste a escolher, tirei o comprimido azul da que estava mais afastada. A primeira não escolhi porque era muito pequena e escondeste-a no guarda-fatos, em baixo das almofadas que trouxeste do teu antigo quarto. A caixa redonda era aquela da qual tu não tiravas os olhos e isso assustou-me. Entao preferi arriscar esta. Não me lembro se é minha ou tua. Se a trouxemos de alguma viagem ou se alguém nos ofereceu. Compraste isto?...Pouco importa agora. Prometo que depois de engolir o comprimido, não me esqueço mais das nossas coisas.

cheguei

Mesmo em branco. Sinto-me uma nulidade. Fica para depois.